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terça-feira, 11 de setembro de 2012

despenco
do mais alto
pensamento

a cada esperança
inútil
q invento

a cara
milhares de vezes lavada
arrebento

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

rito

bebi para esquecer

lembrei as cores mais vivas
dentro do túnel do copo

o cheiro e o gosto

do corpo
no templo vitral
desse álcool

eu ontem

bebi à última gota
do cálice
para esquecimento
mais póstumo

eu hoje
bebo
sacramentalmente
para fazer-nos memória

novela

ela sentou frente à tv

olhar acima
do painel
da janela
sobre o teto
sob o céu

frente à tv
pra parecer
em paz

e comum

herança genética

ele tentou
que a refeição fosse

com junta

amainou
o tom
sempre alto
da voz

excessivamente rouca

ele orou
sinceramente.
sentou na ponta da mesa

ele fez o esforço maior
deu o que tinha de si

mas a sua dor
mal dita
tinha mais

e ele ñ pôde ser

o que um dia
sonhou
ter em seu pai

sem cura

enfermeço sim

sem afetação

num simplesmente
nu!

cada tropeço sincero
de minha
auto extrema
unção estima

entrego
(sem reter-me)
ao seu olhar desprezo

diante do qual
hoje sempre
adoeço
sempre

no entre

um ambos

que pende

ninguém
jamais
entende

domingo, 5 de agosto de 2012

ironia?

"o reino dos céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam" Mt 11, 12

aos que me ofereceram uma face
preparem a outra
...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

palavras demais
espaços demais
demoras demais

longitudemais

ao longo de nós
tudo menos demais
há pontas soltas
entre nós
mas eu...
entrego os pontos
a cada ideia
do teu corpo morno
em cada noção
de teu contorno
soçobro 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

lágrima

sem descanso

queimando

ela sobe
fúria a dentro

e deságua
calada

na mais sincera
recusa
da dor