para a cidade amada
madrugadas
e escuros
a privilegiam
estende-se
vagarosa e plena
sobre vontades
nossas
de pátria
seu cinza salgado
ñ perdoa cores
ou voz
de ninguém
ela é a cara
em carrara esculpida
cagada e cuspida
do mar que ñ tem
para ale safra e susanna
como em sauna
ana sua
não se acalma
mesmo nua
ana nau
não flutua
ana ama
insegura
naufraguras
sob o sol
em seu corpo
ana atura
o azul fratura
enlua
azara
o azul
de todos os dias
me usa
enruga
o azul
(placa, uniforme, rua, metrô!)
me coloca nua
em fuga
Leda
leva a vida
Leda
se encarrega
lava
a lágrima
contida
Leda
não se entrega
não
é leve a lida
nem
coisa que alegra
como
quem se eleva
alquímico
o cheiro ouro da tua pele
fere
enquanto
me olham
e aguardam
todos
um sorriso sincero
eu divago
e desespero
barra da saia
baía de saída
arquipélago
em alto mar
para Ale Safra
sob o peito
sombra
um som
ínfimo
fissurando ao
infinito gelo
dum azul distante
e marinho
depois de um tempo de mar
anzol é âncora
o medo
me tirando
toda de mim
sob as pálpebras
o peso
perene
da perda