segunda-feira, 15 de outubro de 2012

perdi a mão para essa palavra curta de poeta, enxuta contra pedra e batida, batida, batida. perdi a mão que, volta e meia, esfarela-se, amarela, sempre que volto a estendê-la pronta a apanhar qualquer cinzel de sílaba. este amor de som amputou-me mãos e braços e razões inteiras. este amor de som aniquilou-me ante usurpadores de sentidos. morro de amor por tal palavra, já não a toco sem definhar-me inteira. sobrei-me fina areia sobre a terra amarronzada escura e já não sei amar senão às sílabas que salgam o mundo. perdi a mão e já não há sentido que me faça abrir a voz.

2 comentários:

  1. li direito e ela disse "perdeu a mão"
    como? qual o quê? quem seria?
    se está na alma, no espírito e no coração
    toda a sua mais elevada poesia!!!

    menina poeta, refaça o texto acima ou ninguém vai acreditar! rs
    Bjs, Alê.

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  2. hehe perdeu, dani! a mão se esfarelou junto com um rinoceronte de dali :P

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